O mito da “pessoa certa”

Ah, a tal da pessoa certa… essa estrela brilhante que, segundo livros, filmes e contos de fadas, vai aparecer no momento exato, com o sorriso perfeito, gostos compatíveis e nenhum defeito relevante. Spoiler: se você está esperando esse nível de perfeição, talvez seja melhor sentar, tomar um café e esperar sentado… porque a vida adora brincar com o nosso calendário imaginário.

A ideia de que existe alguém “feito para nós” é tão antiga quanto as histórias de amor da humanidade. Platão já filosofava sobre almas gêmeas, dizendo que nossas metades estavam espalhadas pelo mundo, e que a vida era basicamente um jogo de caça à outra metade. Romântico? Sim. Prático? Nem tanto. Porque enquanto você procura o seu clone emocional, a vida continua, o tempo passa, e você começa a perceber que talvez ninguém seja 100% compatível… nem você mesmo, se formos sinceros.

E aqui entra a expectativa versus a realidade: a expectativa é um amor de filme, onde olhares se cruzam e tudo se encaixa perfeitamente. A realidade é que pessoas são bagunçadas, cheias de manias irritantes, e muitas vezes o que você acha que é “incompatível” pode ser exatamente o que vai fazer a vida valer a pena.

No fundo, o mito da pessoa certa funciona mais como uma desculpa elegante para não agir, para esperar, para imaginar que se você tivesse esperado mais um pouco, o universo traria alguém perfeito. Só que o universo é mais preguiçoso que a gente pensa, e enquanto você espera, ele já está rindo do seu relógio interno.

O tempo não espera

Ah, o tempo… nosso inimigo silencioso que passa enquanto a gente fica ali, contando os segundos para o momento “perfeito”. Esperar a pessoa certa, esperar o momento certo, esperar o universo alinhar os planetas… e aí você olha no espelho e percebe que já não é mais o mesmo que sonhava naquele “momento perfeito”.

A verdade é cruel e deliciosa: o tempo não dá pausa. Ele não vai esperar você superar o medo, terminar a lista de exigências ou achar que está pronto. Cada minuto perdido esperando algo ideal é um minuto a menos de vida experimentando o real. E, convenhamos, viver esperando é uma forma de procrastinação tão sofisticada que quase parece filosofia.

E aqui vai a ironia fina: enquanto você planeja o “momento certo”, alguém menos perfeito (mas humano, real) está vivendo, errando, amando, rindo. E você? Ainda pensando se o universo vai dar sinal de fumaça ou se aquele crush da faculdade vale a pena.

Platão podia filosofar sobre almas gêmeas, mas ele não precisava lidar com notificações do WhatsApp e filtros do Instagram. A vida não espera pelo script que você escreveu na cabeça. O tempo ri, e você? Bem, você envelhece, pontua memórias de oportunidades perdidas e aprende – às vezes dolorosamente – que a perfeição só existe no imaginário… ou nos filmes da Netflix.

O medo e as exigências

Enquanto você está aí sentado, com a lista de exigências na mão — altura X, profissão Y, signo Z, que goste das mesmas séries, tenha o mesmo paladar e ainda saiba fazer massagem — adivinha? A pessoa que poderia ter sido incrível para você já se casou com outra. Simples assim.

A vida não dá aviso prévio. Enquanto você espera pelo “pacote perfeito”, o mundo está girando, as pessoas estão vivendo, se arriscando e escolhendo. E essa pessoa “quase certa” que você dispensou porque “não era o momento” ou “não tinha todos os pré-requisitos” provavelmente já está com alguém que não ficou parado esperando um sinal do universo.

O mais irônico? Talvez ela combinasse absurdamente com você. Talvez fosse aquele tipo de relacionamento que não parece de comercial de margarina, mas que funciona, cresce e se torna bonito com o tempo. Mas, na mania de não se mover, de esperar a oportunidade perfeita, você ficou aí — e a oportunidade passou.

No fundo, esse “medo de errar” é só uma desculpa sofisticada para não se comprometer. Você não quer correr risco, então fica ali idealizando. Mas enquanto idealiza, o tempo passa, e a vida não tem botão de rewind.

O erro da indecisão

A indecisão é aquela velha amiga traiçoeira que adora se disfarçar de “prudência”. Você acha que está sendo cuidadoso, ponderado, esperto… mas na real está apenas enrolando enquanto a vida passa. Quantas vezes você ficou ali, olhando pra pessoa que poderia ser a certa, e pensou: “Será que vale a pena? Será que é agora?”

Enquanto você calcula, analisa e pesa cada detalhe, o mundo continua girando. E a oportunidade que estava ali, na sua frente, desaparece como fumaça. A indecisão é a forma mais elegante de se sabotar: você não fez nada de errado, mas também não fez nada de certo.

Filosoficamente falando, às vezes escolher é mais importante do que escolher perfeitamente. Platão, Aristóteles ou qualquer outro filósofo antigo provavelmente diriam que a ação é que molda a vida — e a indecisão só deixa você parado, olhando o que poderia ter sido.

E o sarcasmo aqui é inevitável: enquanto você repete o mantra do “deixe para depois”, alguém menos indeciso está rindo, vivendo, errando e amando. A vida é prática, não poética. O “agora não” pode se tornar um “já era”.

A pessoa certa talvez seja mais sobre nós

E se te contarem que a “pessoa certa” não é só sobre ela, mas principalmente sobre você? Que a chave para encontrar alguém que realmente se encaixe está mais em quem você é do que em quem está à sua frente?

Enquanto você espera alguém que preencha todos os espaços da sua vida, talvez o que você realmente precisa é preencher os seus próprios. Autoconhecimento, maturidade emocional, saber lidar com seus medos e bagagens… tudo isso molda a forma como você se conecta com os outros.

Historicamente, filósofos já sugeriam isso de maneiras diferentes: Sócrates dizia “conhece-te a ti mesmo”, e não “procura teu clone emocional”. Porque, no fim, se você não entende suas próprias contradições, manias e desejos, como vai reconhecer alguém que se encaixe de verdade?

O toque de ironia é delicioso: às vezes a pessoa perfeita poderia estar na sua frente, mas você não percebe porque ainda está procurando fora o que só existe dentro. É quase cruel — e engraçado — como a vida faz você esperar, tropeçar e aprender que o match perfeito começa dentro de você.

Quando a pessoa certa já passou por você

Às vezes a vida é simplesmente cruel — ou genial, dependendo do ponto de vista. A pessoa que poderia ter sido perfeita para você já esteve na sua vida, mas você não percebeu. Não foi falta de qualidades dela, nem defeitos exagerados seus… foi só a cegueira do momento.

O curioso é como a memória transforma esses encontros em algo quase mítico. Você lembra de pequenos detalhes, gestos, conversas, e começa a pensar: “e se eu tivesse percebido antes?”. A ironia é que, naquela época, você estava focado em outras coisas — trabalho, medos, listas de exigências, expectativas absurdas.

A filosofia aqui é sutil: a vida não é sobre pegar todas as oportunidades, mas sobre aprender com aquelas que passaram. Talvez a pessoa certa não seja só sobre encaixe perfeito; talvez seja sobre timing, sobre maturidade, sobre perceber quando algo real está diante dos nossos olhos antes que seja tarde.

E o sarcasmo doce: às vezes é mais fácil olhar para trás, suspirar e filosofar do que assumir que a responsabilidade por não ter percebido era sua. Mas, cá entre nós, essa mistura de arrependimento e aprendizado é o tempero que faz a vida valer a pena.

Conclusão: existe ou não?

Então… a pessoa certa existe? A resposta é: depende de como você olha. Se você espera perfeição, momento perfeito e que o universo envie sinais luminosos, provavelmente não vai encontrar. Porque a vida não trabalha com roteiro de filme, e a perfeição é um conceito tão abstrato que até Platão daria um soco na parede.

Mas se você olha com olhos humanos — falhos, curiosos, cheios de medo e vontades — talvez perceba que a pessoa certa é mais sobre escolhas do que destino. É sobre aceitar imperfeições, arriscar, aprender, se mover e, principalmente, não deixar o tempo rir da sua indecisão.

No fundo, a beleza está na imperfeição do processo: a pessoa certa pode ser alguém que você ainda não conheceu, alguém que já passou pela sua vida, ou até você mesmo, evoluindo para se tornar alguém que alguém mais tarde vai chamar de certo.

E o toque ácido final: se você ficar esperando a perfeição, vai acabar sozinho… e provavelmente filosofando sobre isso aos 80 anos, tomando chá e dizendo que “a pessoa certa nunca apareceu”. A ironia é deliciosa, e a reflexão é clara: a vida é feita de movimentos, escolhas e riscos. A pessoa certa existe, mas só se você estiver disposto a enxergá-la, sem manual de instruções e sem esperar milagres.